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terça-feira, 2 de julho de 2019

Canalização: esclarecendo sobre "incorporações"

Por Paulo Stekel (atualizado em 03/07/2019)


Não há incorporação

“Incorporação” é um termo muito mal-compreendido. Originalmente, no meio mediúnico, desde o Séc. XIX, era usado porque se entendia que algo espiritual “entrava” no corpo, ou seja INcorporava. Associado a isso, se tinha a ideia de que o médium, uma vez incorporado, era um mero instrumento passivo de um espírito ou entidade, e isso mereceu críticas severas, por exemplo, dos adeptos da Teosofia. Ainda hoje se vê autores falando do aspecto "cármico" da mediunidade, como se o indivíduo tivesse alguma obrigação espiritual de servir de instrumento passivo de entidades sofredoras. Este equívoco deve ser desmascarado o quanto antes, pois pessoas com problemas cognitivos e transtornos mentais têm sofrido muito com este tipo de filosofia maniqueísta.

A visão da Canalização é bastante diferente. Nela, não se imagina que algo “entre” no corpo. Apenas uma comunicação mental, por frequências, é o que ocorre, sem que algo precise entrar no corpo. Há uma sintonização, não incorporação. O processo de comunicação, como já esclarecemos em outros artigos, se dá por telepatia, inspiração, intuição e ressonância com a consciência que se contata. A questão é simples: no Séc. XIX, quando a Mecânica Quântica (popularmente, Física Quântica) ainda não existia como teoria, a única explicação possível para o processo de como um espírito tomava conta da consciência de um médium era a de que algo entrava no corpo e afastava seu perispírito para poder se manifestar. Mas, no final, isso é um resquício do materialismo e da lei que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Hoje, numa época de teoria quântica, campos morfogenéticos, ressonância e mente não-local, a própria noção antiga de "espírito" precisa ser revista e adaptada ao novo entendimento. Não há como se imaginar uma espiritualidade do Terceiro Milênio dissociada destas novas percepções.

Visão quântica

Na visão quântica as coisas mudam, pois a mente e a consciência são consideradas eventos não-locais. O corpo não precisa ser tomado para que uma comunicação ocorra. Tudo acontece na mente e nada é afastado. É como sintonizar uma estação de rádio. Contudo, essa explicação só passa a fazer sentido após os estudos sobre eletro-magnetismo e aspectos quânticos dos átomos. Não poderíamos exigir isso dos primeiros médiuns, no Séc. XIX. Mas, o conhecimento espiritual sempre tem se adaptado aos tempos, e agora podemos entender tudo de um modo mais claro.

No Brasil, a noção de “incorporação” está mais associada ao grau de profundidade do transe mediúnico. Se diz que há incorporação quando o médium recebe um espírito mais pesado, que o faz apresentar alterações corporais, ficar inconsciente, arrastar-se no chão, mudar totalmente a voz ou girar desenfreadamente. Quando nada disso ocorre ou ocorre apenas de um modo leve, se convencionou dizer que não há a incorporação, mas um transe leve, em que o médium se mantém basicamente consciente do processo. Estes aspectos têm apenas a ver com o grau de consciência do médium e com o nível evolutivo da entidade sintonizada.

Há casos em que uma entidade muito inferior abafa a consciência do médium/canal por sua baixa frequência. Há também casos em que uma entidade muito elevada abafa a consciência do médium/canal por sua alta frequência. Cada caso é um caso. Há um componente mental incrivelmente complexo envolvido. Mas, nada “entra” no corpo, no final das contas!

O imaginário da incorporação

Muito do imaginário de incorporação se dá pela forma como os romances espíritas foram escritos no Século XX. Este gênero literário tem mudado um pouco nos últimos anos, com a inserção de conceitos mais modernos. Mas, no século passado, a romantização das projeções mentais dos desencarnados em "hospitais no espaço" e umbrais fez com que as pessoas pensassem ser estes lugares algo real, quando nada mais são que projeções mentais das consciências que partiram. Afinal, tais consciências não estão mais na matéria e, por isso, não poderiam existir complexos como os que vemos no mundo físico. A própria literatura budista, com seus dois mil e quinhentos anos, e baseada na tradição hindu, fala de locais que podem ser considerados como os hospitais no espaço, locais de aprendizado e umbrais do espiritismo (leia-se sobre os conceitos budistas de terra pura, infernos e reinos superiores com forma e sem forma).

Se a incorporação é um equívoco, então, não há motivo para um canalizador sintonizar mentores se retorcendo pelo chão ou falando com voz metálica, como vemos com alguns canalizadores famosos do Brasil que dizem "receber" comandantes extraterrestres. Isso tudo soa muito ridículo, e alguns até os entrevistam como se fossem realmente representantes de uma civilização de fora do nosso planeta. Não que isso não seja possível, mas pensamos que não há qualquer razão para uma consciência extrafísica de outro plano, dimensão ou mundo falar de modo teatral, mesmo porque tal consciência utiliza todos os veículos do canal, podendo falar normalmente, se valendo do sistema neural do canalizador para se comunicar perfeitamente. Não há necessidade de pantomimas, levantar o braço e dizer "saudações terráqueos". Deixemos isso para as comédias hollywoodianas e para os programas de humor.

ATUALIZAÇÃO (em 03 de julho de 2019)

Assim que o artigo foi publicado, várias pessoas me interpelaram - por aqui e por redes sociais - sobre minha visão da incorporação espírita, dizendo que estava equivocada.

Para evitar mal-entendidos, quero esclarecer o que eu afirmei e o que não afirmei no artigo:

Primeiro, a opinião que expus no artigo é da perspectiva da Canalização, não do Espiritismo Kardecista. Desta forma, assim como os membros de uma religião diversa da espírita poderiam colocar seus pontos de vista sobre determinados fenômenos, eu, do ponto de vista da Canalização, que pratico desde os nove anos de idade, assim o faço, resguardado pela lei.

Segundo, em nenhum momento eu disse que o fenômeno mediúnico ou mesmo o fenômeno espírita não exista ou que não seja real. O que eu contestei, da perspectiva da Canalização, é o conceito de incorporação, que não é a mesma coisa que dizer que NADA é sintonizado pelos médiuns espíritas. Claro que acredito que algo é sintonizado e que não se trata de mistificação ou transtorno mental. Que isto fique bem claro. Mas, quanto a O QUE é sintonizado mediunicamente pelos espíritas, é uma questão de opinião também. Para os espíritas, o que seus médiuns sintonizam são "espíritos". Para praticantes do Cristianismo neo-pentecostal, são "demônios". Para a Canalização, são consciências com autorreferência, mas não necessariamente, espíritos dos mortos - podem ser também consciências de seres vivos em outros planos paralelos de existência e mesmo mentes localizadas em mundos físicos muito distantes da terra. No momento, a lei brasileira de liberdade religiosa e de liberdade de expressão permite tanto a liberdade de culto e de opiniões, quanto atitudes preconceituosas como a de alguns grupos neo-pentecostais de considerarem os deuses ou espíritos dos outros como "demônios". Infelizmente...

sexta-feira, 28 de junho de 2019

A realidade que cada um vê

Por Paulo Stekel



A pesquisa escocesa

Acaba de ser publicada uma matéria da BBC sobre a realidade quântica e a pesquisa que afirma que, no nível quântico, não há fatos subjetivos.

Intitulada "Existe a realidade? O experimento que indica que, no nível quântico, não há fatos objetivos", a matéria assinada por Carlos Serrano (BBC News Mundo), apresenta a pesquisa realizada na Escócia pela equipe do físico Alessandro Fedrizzi.

Conforme a matéria: "A teoria quântica afirma que o observador de um fato influencia em como esse fato é percebido. É como dizer que uma mesma bola de tênis para uma pessoa pode representar uma esfera, mas para outra, um cubo.

Para provar isso, físicos da Universidade Heriot-Watt, na Escócia, criaram uma experimento que envolveu quatro observadores: Alice, Amy, Bob e Brian. Esses personagens não são pessoas. Eles são, na verdade, quatro máquinas sofisticadas em um laboratório.

No teste realizado com eles, Alice e Bob recebiam uma mensagem, que nesse caso era um fóton, ou seja, uma partícula quântica da qual a luz é composta. Depois, Alice e Bob enviavam esse fóton a Amy e Brian, ou seja, transmitiam a mensagem a eles.

Eis o que surpreendeu os pesquisadores: apesar de Alice e Bob terem enviado a mesma informação a Amy e Brian, os dois últimos a interpretaram de maneira diferente. O processo é bastante complexo, mas poderia ser exemplificado como um telefone quebrado em que uma mesma mensagem se transforma à medida que passa de uma pessoa para outra.

Este resultado está relacionado a um conceito de mecânica quântica que diz que as partículas podem se entrelaçar e mudar dependendo de quem as observa."

A matéria contém uma entrevista com o físico Alessandro Fedrizzi que pode ser acessada diretamente em https://www.bbc.com/portuguese/geral-47529442.

A realidade entrelaçada

O que pesquisas como esta representam para a visão não-dualista da realidade? Dizer que a realidade depende de quem a vê é compatível com a teoria da mente do não-dualismo. Também encontra respaldo nas neurociências que dizem que o que nossos sentidos captam do mundo é interpretado por nosso cérebro e misturado com percepções anteriores através da memória e depois viram a narrativa final da realidade que imaginamos ser verdadeira (o cientista português António Damásio tem este pensamento).

Se o observador influencia em como um fenômeno é percebido, na verdade, o que ele vê é uma "criação" de sua mente, e não a realidade absoluta em si. É o que dizem os ensinamentos do Budismo Mahayana: quem criou tudo o que vemos como a realidade foi a mente.

A grande verdade é que cada mente observa o mundo e o interpreta à sua maneira. Sendo assim, existem tantas interpretações da realidade quantas mentes interpretando, de modo que podemos dizer que há uma coexistência de realidades e um entrelaçamento quântico destas mentes através de suas interpretações. No final, o mundo com o qual interagimos é uma mescla da nossa interpretação, a forma como a realidade é, e a reação dos outros a partir de suas próprias interpretações ao mundo como ele se lhes apresenta. esta mescla entre a realidade tal como é e a realidade multi-interpretada é o que podemos chamar de "a realidade entrelaçada", samsara, na visão budista.

Acima do entrelaçamento, ou além dele, seria possível perceber a realidade tal como ela é? Sim. O budismo chama essa realidade de "tathata" (talidade ou "tal-como-é"), que se diz ser da mesma natureza do Nirvana e da Iluminação. Contudo, nos é difícil imaginar, sem sermos iluminados, como é esta realidade nua e crua sem as interpretações da mente.

O físico Alessandro Fedrizzi, de Brisbane (Austrália), chefe da pesquisa escocesa